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O tom sombrio da contemporaneidade, caracterizado pela polarização de ideias, sugestiona a dificuldade do homem em viver entre e respeitar diferenças. Em essência, isso poderia significar que haveria entre nós certa resistência a aceitar e lidar com singularidades, inclusive a nossa própria, de forma que tendemos, quase irresistivelmente, a nos agrupar entre semelhantes, nos rebanhar. Submeter-se e não emancipar-se.

A emancipação emocional e intelectual tem na coragem o seu preço! Formado na “Terra da Liberdade”, o grupo Heavenless nasceu herdeiro de uma fortuna de intrepidez. Mossoró, capital cultural do Rio Grande do Norte, é marcada pelo Motim das Mulheres, pelo primeiro voto feminino do país, por ter libertado seus escravos cinco anos antes da Lei Áurea, sem falar da resistência histórica ao bando de Lampião.

Kalyl Lamarck (vocal/baixo), e os ex-integrantes do Bones In Traction, Vicente Andrade (bateria) e Vinicius Martins (guitarra), têm tanto respeito às singularidades quanto à sua própria, defendida com um tom, para muitos, ácido: “Fvck Religion”.

“Onde há religião não há espaço para racionalidade”, Kalyl Lamarck deixa claro seu ponto de vista. Vicente Andrade argumenta a favor: “Fvck Religion é uma provocação! Respeitamos diferenças, por isso mesmo somos contra todo extremismo. Entre eles o religioso”.

Essa mesma singularidade ideológica o Heavenless também busca em sua sonoridade. Seu disco de estreia, sugestivamente intitulado “whocantbenamed”, traz um death/hardcore de sotaque doom com uma grande disponibilização para o inexplorado.
De acordo com Kalyl, apesar de já demonstrar uma personalidade muito forte em “whocantbenamed”, o Heavenless é ainda um trabalho em andamento.
“O Heavenless ainda está no processo de autoconhecimento, é uma banda nova, apesar do grupo ter certa experiência. Mas é fato que nosso objetivo foi montar a banda mais pesada que já tivemos! Nossas armas para isso foram o Doom, o Sludge e o Crust-Punk, que é mais minha praia, e o Metal e Hardcore que os meninos gostavam mais”.

Vicente acrescenta sobre a espontaneidade com a qual as primeiras músicas foram surgindo.
“Quando nos reunimos não sabíamos o que iria sair. Decerto que o som seria bem pesado se baseado em nossas referências musicais. Nossas diferenças de idades também refletiram nessa interessante mistura que é o som do Heavenless. Enquanto Kalyl e Vinicius ouvem coisas mais modernas, eu vivi toda a década de 80 e 90 e fui impactado pelo lançamento de vários discos do Slayer, Pantera e Sepultura, por exemplo. E por ser Pernambucano, também vivi toda a era Manguebeat com o Maracatu Atômico de Chico Science e Nação Zumbi.”

Foram só três meses inseridos nesse vórtice criativo até que eles já tivessem músicas suficientes para compor um álbum. Foi quando o produtor Cassio Zambotto tomou posse.
“Cassio foi como um quarto elemento nesse disco”, comenta Vicente. “Ele já tinha trabalhado com o Bones e também com a última banda de Kalyl, já nos sentíamos à vontade juntos. Ele entende muito de gravação, principalmente de metal, e veio de Natal pra Mossoró, em nosso home-studio, onde ficamos internados durante 15 dias gravando, dia e noite”.

Além das especificidades ideológicas da banda como um todo, “whocantbenamed” tem vida própria em seu sentido conceitual, inclusive com características regionais e ficcionais.
“Whocantbenamed é o medo de algumas sociedades em citar a entidade maligna: aquele que não pode ser falado”, explica Kalyl Lamarck. “Eu ouvia muito isso de minha vó paterna quando ela ia falar de demônios. Ela é curandeira e eu passava muito tempo com ela quando pequeno. Era comum ouvir histórias de terror, de lobisomem e possessão, e quanto mais ela contava, mais eu pedia para ouvir, e mais me assustava! Envolviam lendas do folclore local, relatos pessoais que ela tinha presenciado, testemunhos de vizinhos, dentre outros deleites que serviam de matéria prima para a mente engenhosa de uma criança curiosa. Durante as férias eu também convivia com meus avós maternos no sítio deles que era isolado, sem energia elétrica, próximo de uma mata assombrosa. Era sensacional ver o sol se pôr e tudo aquilo se transformar em uma paisagem tenebrosa, ideal para tudo aquilo que eu tinha medo que se tornasse real. Tudo isso serviu de influência para as músicas, e é esse sentimento que quero ter novamente ao cantar e tocar no Heavenless”.

Toda essa definição conceitual credencia “whocantbenamed” como uma plataforma para o desenvolvimento de identidade do grupo e o sentimento de pertencimento à região Nordeste, que é abundante em cultura e por isso mesmo nem sempre simpática às minorias, especialmente aquelas que não são originárias dali, como o metal.
“Morar no deserto não é fácil”, diz Vicente Andrade. “Aqui é a terra do forró! Sofremos muito preconceito pelo estilo que escolhemos, mas isso não nos atinge. Sabemos quem somos e onde queremos chegar! O problema de deslocamento também é muito difícil de superar. Estamos há 300km de qualquer aeroporto, isso dificulta muito chegar aos grandes centros e grandes festivais. Temos que ter muito planejamento”.

Decerto que planejamento não tem faltado à banda. Bem como sua relevância artística tem reverberado resultados. “Whocantbenamed” tem recebido calorosos elogios da imprensa especializada e até aqui o grupo já realizou duas turnês pelo sudeste, totalizando mais de 10 shows pela região, entre outras dezenas de apresentações por outros estados. O grupo também já foi atração de importantes festivais como o Black Embers em São Paulo e já está confirmado para se apresentar no renomado Festival DoSol em Natal em Novembro.

TRACKLIST:

1- Enter Hades
2- Hopeless
3- The Reclaim
4- Hatred
5- Soothsayer
6- Odium
7- Uncorrupted
8- Deceiver
9- Point-blank

FORMAÇÃO:
Kalyl Lamarck (vocal/baixo)
Vinicius Martins (guitarra)
Vicente Andrade (bateria)

DISCOGRAFIA:
whocantbenamed (2017)

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